Durante a tarde, o público que prestigiou a primeira parte do evento retornou em peso para acompanhar discussões relevantes para a inovação no agronegócio, em painéis que abordaram as perspectivas para o setor. Estiveram em debate as práticas regenerativas, métodos digitais para otimizar cultivos, o papel do crédito rural como ferramenta de alavancagem dos investimentos e o cenário da agricultura fluminense. Representantes de prestígio desses ramos puderam apresentar suas percepções e responder às perguntas da plateia que lotou o auditório principal da SNA. Confira o que de mais importante aconteceu na segunda matéria desta cobertura especial.

Painel 1: Práticas Regenerativas

Da esquerda para a direita, Ricardo Gomes, Silvio Galvão, Vanessa Sabioni e Francisco Maturro. Foto: Marcelo Sá

O painel reuniu Francisco Maturro, presidente executivo da Rede ILPF, Vanessa Sabioni, CEO da Agro Mulher, Silvio Galvão, diretor técnico da Pesagro, e Ricardo Gomes, COO da Bio2me, para debater práticas regenerativas no agro. Maturro apresentou a evolução da agricultura brasileira, destacando revoluções como o plantio direto, a segunda safra e os sistemas integrados, e afirmou que a sucessão de cultivos cria condições para regenerar e preservar lavouras, com sustentabilidade baseada na geração de renda e no respaldo científico de universidades e da Embrapa.

Ricardo Gomes expôs as iniciativas da Bio2me no Cerrado, com o uso de algoritmos e imagens de satélite para identificar bambueiros e viabilizar a produção de bioativos em áreas preservadas. Vanessa Sabioni abordou a atuação com lideranças femininas no agro e a ampliação da mentoria ao longo da última década, especialmente durante a pandemia, enquanto Silvio Galvão ressaltou o papel da Pesagro no desenvolvimento rural do Rio de Janeiro e a necessidade de aproximar as novas tecnologias do produtor e investir na formação de futuras lideranças.

Painel 2: Agropecuária Digital na construção de novos modelos de negócios

Da esquerda para a direita, Roberto Valicheski, Uriel Rotta e Amyr Girondi. Foto: Marcelo Sá

Uriel Rotta, sócio-diretor da WBGI, Amyr Girondi, diretor comercial da Tecgraf Agro, e Roberto Valicheski, fundador e COO da Vaca Roxa, debateram a digitalização no campo. Rotta afirmou que a adoção tecnológica só faz sentido com mudanças na forma de trabalhar, ressaltando que o processo é gradual e desafiador em um ambiente de crédito caro.

Amyr Girondi relembrou a introdução do GPS em máquinas agrícolas como marco inicial de sua atuação e reforçou que a tecnologia precisa resolver problemas concretos para gerar valor, o que o levou a ouvir mais atentamente os clientes. Roberto Valicheski apresentou a aplicação de sensores na cadeia do leite, substituindo diagnósticos visuais da mastite por dados digitalizados, permitindo intervenções mais precisas e melhor gestão do rebanho.

Painel 3: Novas soluções para Crédito no Agro e Seguro Rural

Fernando Pimentel (de pé), Hernan Angulo e Marcelo Maidantchik. Foto: Marcelo Sá

Fernando Pimentel, diretor da Agrometrika, Hernan Angulo, fundador da IMBR Agro, e Marcelo Maidantchik, sócio e fundador da Haklay, discutiram os entraves e avanços no financiamento rural. Pimentel traçou a trajetória do crédito, da contratação à cobrança, destacando garantias, modalidades e o papel do Plano Safra, além de apontar a baixa cobertura do seguro rural no Brasil e a predominância do crédito privado.

Maidantchik explicou a análise ágil de perfis para direcionar soluções a cooperativas e seguradoras, observando avanços na governança do agro, mas desafios persistentes para pequenas e médias propriedades. Angulo ressaltou o distanciamento entre quem demanda e quem oferece crédito, defendendo a personalização de linhas e seguros com dados relevantes e monitoramento tecnológico para aprimorar a análise de risco.

Painel 4: O Agro Fluminense hoje: desafios, oportunidades e o caminho para a sustentabilidade

Da esquerda para a direita: Marco Antonio de Luca, Leonardo Lopes, Felipe Brasil e Mickaela Midon. Foto: Marcelo Sá

O painel contou com Felipe Brasil, subsecretário de Agricultura do RJ, Leonardo Lopes, presidente da AEARJ, Marco Antonio de Luca, CEO da Tilápias Mangaratiba, e Mickaela Midon, do CREA-RJ. Felipe Brasil destacou a diversidade e a força agrícola do estado, citando cultivos consolidados como farinha de soja, abacaxi e morango, além do resgate de cafés premiados no Norte Fluminense e a vocação sustentável do Rio. Mickaela Midon relembrou a tradição conservacionista fluminense, como a Floresta da Tijuca, apontando avanços na recuperação de matas ciliares e desafios na gestão de resíduos sólidos e saneamento, com impacto direto no agronegócio.

Em sua fala, Leonardo Lopes enfatizou a importância da água e da agricultura irrigada para otimizar a produção, alinhada à demanda por alimentos de qualidade e ao potencial turístico das regiões produtoras, destacando o papel da agricultura regenerativa. Marco Antonio de Luca encerrou o painel defendendo a atuação conjunta entre produtores, autoridades e entidades, citando o Inova Agro Tour como espaço estratégico e apontando a piscicultura integrada como alternativa para reduzir custos e fortalecer cadeias regenerativas.