O Rio de Janeiro sediou na última sexta-feira (12) a segunda edição do Inova Agro Tour, um evento realizado pelo SNASH (SNA Startup Hub) na sede na Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e que teve como foco promover uma conexão entre tecnologia, pesquisa e produção rural, com vistas a impulsionar a modernização da agropecuária brasileira. Com um grande número de participantes presenciais e também de forma remota, o projeto se consolidou como uma referência quando o assunto é inovação para o agro.

A iniciativa reuniu startups, empresas, institutos de pesquisa, produtores rurais e investidores para promover transferência de tecnologia e cooperação entre os diversos elos da cadeia agroindustrial, incentivando o desenvolvimento e a adoção de soluções inovadoras que vão da agricultura digital e biotecnologia a softwares de gestão, serviços financeiros e insumos avançados, capazes de elevar a eficiência, a sustentabilidade e a competitividade do setor.

Para Leonardo Alvarenga, CEO do SNASH, O Inova Agro Tour do Rio de Janeiro foi um marco para o Hub. “Conseguimos trazer alguns dos nomes mais importantes da atualidade para falar para uma plateia bastante qualificada, não só do estado do Rio de Janeiro, mas também de todo o Brasil. E ainda demos oportunidade para oito startups da Rede SNASH Premium mostrar suas soluções inovadoras. Aproveito para parabenizar a Tecgraf Agro por ter vencido a primeira edição do SNASH Pitch Challenge. Obrigado a todos os participantes, ano que vem o Inova Agro Tour volta com mais etapas em diferentes locais do Brasil, muito maior e melhor”!

CREA-RJ

O CREA-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro) foi além de um grande parceiro desta iniciativa, foi ainda o patrocinador oficial do Inova Agro Tour Rio, reforçando o compromisso com a inovação, bem como a valorização da engenharia e o desenvolvimento sustentável do agronegócio, unindo tecnologia, conhecimento técnico e soluções que fomentem o avanço do agro.

Programação

O evento aconteceu durante todo o dia, ocupando diferentes ambientes da instituição com painéis sobre “Práticas Regenerativas”, “Agropecuária Digital na construção de novos modelos de negócio”,  “Novas soluções para Crédito no Agro e Seguro Rural” e “Cenário atual do Agro Fluminense  – Desafios e Perspectivas para a agricultura Sustentável”. Em adicional houve palestras, exposição de startups da Rede SNASH Premium e uma competição de pitches.

Esq. Miguel Fernández (pres. do CREA-RJ), Paulo Renato Marques (pres. da Pesagro-RJ), Caroline Alves(pres. da FAPERJ), Miguel Fernández (pres. do CREA-RJ), Marcos Troyjo (Global Advisor do European Investment Bank) e Antonio Alvarenga (pres. da SNA) Foto: Larissa Machado

Solenidade de abertura

A mesa de honra da solenidade de abertura foi composta pelo presidente da SNA, Antonio Alvarenga, Miguel Fernández, pres. do CREA-RJ, Caroline Alves, pres. da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo a Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Joaquim Leite, sócio-fundador do YvY Capital e ex-ministro do Meio Ambiente, além de Paulo Renato Marques, pres. da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-RJ) e Marcos Troyjo, Global Advisor do European Investment Bank

A fala inicial ficou a cargo de Antonio Alvarenga, que agradeceu a presença de todos e enfatizou a pujança do agronegócio brasileiro, sobretudo no tocante ao salto dos últimos 50 anos, em termos de produção e exportação de alimentos. Contextualizando o papel da SNA, ele lembrou a missão histórica da entidade em defesa do setor, apoiando a educação, o desenvolvimento tecnológico e a inovação. Nesse sentido, destacou as iniciativas como a Faculdade SNA digital e o SNASH. Em seguida, os demais convidados presentes na mesa fizeram suas ponderações.

Leonardo Alvarenga apresentou as ações do SNASH, bem como as novas parcerias do hub – Foto: Larissa Machado

Visão SNASH

Dando sequência, ainda na parte da manhã, Leonardo Alvarenga, CEO do SNASH, fez uma apresentação mostrando as ações do SNA Startup Hub, bem como as novidade deste ecossistema de inovação. Segundo ele, desde sua criação, há três anos, o projeto ampliou sua abrangência, captação e presença nos maiores eventos do agro, proporcionando aos empreendimentos participantes conexões com outros parceiros, mentoria em aspectos específicos e orientação quanto às plataformas digitais. O Inova Agro Tour é justamente uma novidade nesse panorama, tendo recentemente sido realizado também na Bahia, com nova edição já confirmada para o ano que vem, em formato ainda maior.

A visita da delegação do SNASH à China, em setembro desse ano, também foi lembrada por Leonardo Alvarenga que considerou como muito importante esta troca de informações e aprendizado in loco no país que é o principal parceiro comercial brasileiro e referência em tecnologia agropecuária. Leonardo citou ainda o Agripool com ações de captação e investimento que já fazem sucesso oferecenndo aos envolvidos respaldo técnico no tocante à gestão financeira e monitoramento dos serviços fomentados, além das novas parcerias do hub com a TECHOÁ, em Campinas (SP), com a AgNest, farm lab em Jaguariúna (SP) e ainda com a Agro Espresso.

O ápice da programação matinal foi o Keynote Speech com Marcos Troyjo – Foto: Larissa Machado

Keynote Speech com Marcos Troyjo

O ápice do evento no turno da manhã foi o Keynote Speech sobre “Perspectivas para o agronegócio brasileiro em 2026” comandado por Marcos Troyjo, Global Advisor do European Investment Bank e ex-presidente do Banco dos Brics.

*Geopolítica

Em sua fala, Marcos Troyjo afirmou que a geopolítica tem marcado as oscilações econômicas e o comércio exterior nos últimos anos, a exemplo da Guerra da Ucrânia e das barreiras tarifárias americanas impostas a diversos países, incluindo o Brasil. Em adicional, acrescentou que tal cenário deve permanecer em 2026, incluindo tensões entre Estados Unidos e China, as principais potências mundiais.

“Esses abalos, apesar da incerteza gerada, podem favorecer produtores brasileiros, a exemplo do que já aconteceu em 2025. Neste cenário, o Brasil pode seguir fornecendo aos chineses as commodities fundamentais como soja, milho e sorgo, em substituição aos mesmos produtos americanos, que tiveram sua compra reduzida pelo país asiático”, enfatizou Marcos Tryjo.

* Rearranjo demográfico

Troyjo também lembrou que o rearranjo demográfico previsto para as próximas décadas afetará as relações de poder e economia, pois, na maior parte dos países, a população deve reduzir; enquanto em outras nações importantes, irá aumentar, elevando o total mundial em relação aos dias de hoje. Ele citou a Índia, o Paquistão, a Indonésia e os Estados Unidos, entre os mais estratégicos, impactando o crescimento de renda per capita e consumo, entre outros índices, levando a uma demanda por alimentos e outros serviços.

“Nesse cenário, o Brasil deve se beneficiar, pois continuará escoando sua produção crescente de gêneros alimentícios, tendo a vantagem competitiva de mais recursos hídricos e áreas agriculturáveis, quando comparado com seus principais concorrentes”, ressaltou.

*Ressignificação do ESG

Marcos Troyjo acrescentou que o atual tripé ESG (Environmental, Social and Governance) será ressignificado para o ESG 2.0, num contexto em que variáveis geopolíticas e econômicas pressionarão as nações e blocos continentais, em contraste com as preocupações de governança, ética e sustentabilidade que, atualmente, são determinantes nas cadeias produtivas do agronegócio. Para ele, comida, água e energia se tornaram mais importantes do que nunca, já que é necessário alocar datacenters e parques industriais, para além da capacidade de armazenar, beneficiar e processar o que vem das lavouras.

*Weaponização

Durante sua fala, Troyjo abordou a chamada weaponização do comércio, como uma das marcas das tensões econômicas contemporâneas e que consiste no uso de divisas, sistemas de pagamento ou restrições comerciais para constranger outros países.

Para ele, nesse cenário de weaponização comercial, o nível geral de desconfiança entre países aumenta. “Em uma área central como a produção de alimentos e o agronegócio, ganham relevância as nações capazes de atuar como fornecedoras de longo prazo, confiáveis e previsíveis. Segundo essa avaliação, o agronegócio brasileiro se enquadra nesse perfil e tende a se beneficiar desse contexto”, frisou Marcos Troyjo.

Ao final da palestra principal com Marcos Troyjo, houve um momento de perguntas da plateia, quando houve grande interação entre todos os participantes.

Presentes

O Inova Agro Tour – Etapa Rio de Janeiro foi bastante prestigiado por grandes nomes do agronegócio nacional, de institutos de pesquisa, como a Embrapa, do setor de tecnologia, entre outros, a exemplo do presidente do Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio), Antonio Florêncio de Queiroz, Francisco Maturro, presidente executivo da Rede ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), além do corpo diretor da SNA.